
Lembranças… Recordações… Guardamos tantas coisas que servem para demonstrar num local que estivemos ou uma actividade que fizemos. Eu vou ser sincero, eu tenho muitas lembranças para além daquelas que guardo em minha memória, guardo muitas coisas. Em particular, tenho recordações de momentos que me têm ajudado na minha vida, são acontecimentos que definiram linhas no meu caminho que faço de tudo para manter… daí tento guardar tudo, mesmo que seja algo que não tem muito interesse mas que por me trazer à memória bons momentos não tenho coragem de não guardar. As vezes esta atitude preocupa-me um bocado… é preciso as vezes pensarmos na razão porque guardamos todos estas recordaçõezinhas. Já que elas nos trazem à memória momento tão importantes para nós devemos ter o cuidado para que também esses momentos não se tornem… meras recordações. Eu quando olho todas as coisas que decidi guardar, gosto de pensar que é para trazer a mim próprio a sensação do momento já vivido e mantê-lo presente no meu dia-a-dia para ter a certeza que não me esqueço desse pedacinho na minha vida diária. O problema é quando deixo que, o momento que tento reviver ao olhar aqueles simples objectos, se torne também um “objecto”. Torna-se um grande momento da minha vida que aconteceu a uma certa data e que não consegue passar daí… passa a ser uma data no calendário que foi diferente mas que não deixa de existir para além daquele ou daqueles dias. Quando isto acontece o objectivo com que decidi participar nesses momentos simplesmente… perde-se… e isso faz com que esses dias não sejam mais do que uns dias em que me diverti bastante. Quando reparo que isto acontece felizmente costumo ter o click que me faz voltar ao caminho que tinha escolhido… porque o que realmente quero quando guardo todos aqueles objectos é fazer com que realmente todos os momentos que eles me trazem à memória estejam e principalmente sejam o meu dia… que realmente me mudem para poder dar lugar Aquele que eu quero que habite em mim. Se estes momentos fossem meras recordações, eu viveria a minha vida normalmente e teria aqueles momentos de nostalgia que me trariam emoções muito intensas e fortes que acompanhariam esta minha vida digamos mais normal. Ao tentar tornar estes momentos em algo não tão intenso e em algo mais “rotineiro” pode nos dar a ideia que não nos faz viver o momento… vivê-Lo tão fortemente que é algo que procuro muito, mas não é o que acontece. Vê-Lo presente em momentos muito especiais da nossa vida é maravilhoso e único, mas vê-Lo em nós todos os dias é muito mais especial… oferecermo-nos para Ele poder fazer a sua obra todos os dias é inexplicável. Quando nos apercebemos que realmente mudamos e que isto acontece ao longo do nosso dia… que mudamos para Ele poder viver mais um bocadinho, que Lhe damos o nosso dia… quando nos apercebemos que conseguimos isto… as recordações são ultrapassadas e todos esses momentos prolongam-se no tempo. É esta a missão das minhas pequenas recordações, é por isto que quero continuar a guardar todas as pequeninas coisas… para que nada desapareça e para que nada seja pontual… porque Ele não é pontual, já que Ele nos fala serenamente ao ouvido todos os dias, não podemos nós mostrar-Lhe todos os dias os nossos braços?





E faz hoje um ano que terminava... faz hoje um ano que fazia o meu terceiro dia na casa de Deus. Posso dizer que continuo com a mesma opinião desses três dias, continuam a ser os três dias mais felizes da minha vida. Foi mesmo algo de extraordinário que se passou naquela casa, encontrei-me a mim mesmo e estive frente-a-frente com Ele, nunca experimentei nada melhor! Só sei que depois destes três dias a minha vida tem sido sempre a subir, não deixei de ter os meus problemas, preocupações e falhas... mas é tudo diferente agora. Tenho tentado mudar muita coisa, corrigir-me... sei que muito ainda tenho para mudar, mas a persistência será grande e a ajuda maior ainda. Por isso, que poderei dizer eu deste último ano? Sinceramente, acho que é melhor não dizer nada... só espero que as minhas acções possam responder por mim... esse é o meu único desejo... não falar apenas, mas sim, no meu dia-a-dia, em casa, na rua, nas aulas, na eucaristia, em todo o lado... ser aquilo que devo ser, mudar realmente o que devo mudar e manter aquilo que deve ser mantido, porque as palavras apenas não bastam... esse é que quero que seja o meu quarto dia...



Hoje completou-se a reflexão quaresmal do Grupo de Jovens da Sé que se tinha iniciado na semana anterior. Ao todo abordaram-se 3 elementos essenciais ao que nós tentámos definir como a nossa Quaresma. O sofrimento, o perdão e a oração. No sofrimento olhamos para o Cristo e para o mundo... a nossa Igreja. Como o nosso Deus sofreu para nos ensinar o verdadeiro significado de salvação, por isso hoje percorremos a via sacra e caminhámos na sua paixão... e também vimos o sofrimento que também abrange o nosso mundo e que cada vez parece mais forte. Com perdão tentámos nos preparar para receber Cristo em nós apresentando-Lhe um templo limpo e também experimentar o alcance do Seu amor. Por fim tentámos unir este sofrimento e este perdão... e por isso tivemos oração. Nestes dois dias de reflexão quaresmal oramos para nos unirmos a Ele... este grupo de jovens espera agora poder viver a Ressureição do Senhor com um espírito mais puro, mais próximo dEle e assim continuar a sua caminhada jovem... para que possam crescer e ajudar outros a crescerem...




